Por Artur Reis

ministerio-publico-do-rn-investiga-denuncias-de-calotes-de-duas-prefeituras-a-banco1418817174A Crise que se aprofundou em 2014 atingiu em cheio o Banco Gerador, instituição financeira pernambucana fundada em 2009.

A grande aposta no processo de expansão do Banco Gerador se calcava na população de baixa renda, especialmente nos empréstimos consignados, que até então eram em grande parte ofertados pelas instituições financeiras de menor porte. Em 2011 o Banco Gerador adquiriu a rede Matriz, que contava na época com 85 lojas no estado de Pernambuco para transformá-la na Rede Banorte de serviços.

Contudo, com chegada da crise em 2014, o Banco Gerador suspendeu a concessão de empréstimos consignados já no segundo semestre. Após sucessivos calotes de clientes e amargando um grande prejuízo, os sócios resolveram negociar a venda da licença e o sistema do Banco Gerador, o saldo da carteira de empréstimos para micros, pequenas e médias empresas, os consignados e a operação dos 50 mil cartões Banorte para uma instituição financeira do sul do Brasil. A marca Banorte ficará com um dos sócios.

Duas importantes lições podem ser aprendidas com os erros deste caso do Banco Gerador:

  • Acreditar que o alto nível de crescimento econômico, principalmente no Nordeste, poderia se sustentar por muitos mais anos. Dentro de um ambiente político tão instável como o nosso, as regras do jogo mudam a cada ano e isso tem afugentado os investidores estrangeiros. Podemos perceber claramente que o Brasil já apresentava sinais de instabilidade política desde o aparecimento do Mensalão, levando ao fortalecimento dos partidos de oposição. No momento da elaboração do planejamento estratégico não se pode achar que uma recessão é perene, nem tampouco crer que o boom é eterno. A empresa deve se preparar para atuar em cenários distintos.
  • Subestimar o apetite dos grandes bancos pelos pequenos empréstimos voltados para clientes de baixa renda. Nunca podemos deixar de avaliar profundamente as ameaças relacionadas aos grandes concorrentes. Até o final dos anos 90, a maior parte das empresas de grande porte e multinacionais não focavam seus esforços mercadológicos no atendimento das demandas do mercado de baixa renda. Mas, a partir da estabilidade econômica alcançada no Governo Fernando Henrique, o poder aquisitivo da população de menor renda aumentou e melhorou ainda mais com a expansão do crédito. E com o auxílio do Bolsa Família, a classe CDE aumentou muito o consumo de bens e serviços, levando às grandes empresas a desenvolverem produtos e serviços populares. Sendo assim, o acirramento da concorrência nos empréstimos consignados era só uma questão de tempo.

Todos nós cometemos erros de gestão. Grande parte desses erros advém do processo de planejamento e do posicionamento mercadológico. Porém, na crise esses erros são ainda mais perigosos. Quanto maior a aposta, maior a necessidade de cautela na hora de se elaborar um plano estratégico. Ter estratégias de atuação em diferentes cenários é fundamental. Não podemos apostar todas nossas fichas apenas no vermelho. Preparem-se para o melhor, mas estejam também prontos para o pior.

Sua empresa tem estratégia para atuar na crise?

 

Leiam mais sobre a venda do Banco Gerador no JC online.

 

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http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2016/01/23/banco-gerador-entra-em-fase-final-de-venda-218231.php

Crise acaba com o último banco privado do Nordeste: Banco Gerador
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